O Eterno Retorno do Poeta Marginal.
Por que traduzir e retraduzir a poesia? Para o escritor e tradutor Juremir Machado da Silva, a resposta reside no prazer extático do fazer e na alegria do compartilhamento. Mas há também um interesse histórico e estético: Arthur Rimbaud continua sendo a encarnação máxima da genialidade precoce e da rebeldia juvenil produtiva. O poeta que revolucionou a arte antes dos 20 anos ¿ e que depois partiu para uma vida vertiginosa na África ¿ ganha agora uma nova roupagem que desafia o tempo.
A proposta desta nova tradução traz um paradoxo fascinante: cometer um anacronismo absoluto ao atualizar as palavras do poeta. O processo assemelha-se ao gesto de jovens que cantam os clássicos de Lupicínio Rodrigues em ritmo de rap. Respeitando a grandeza universal de Rimbaud, a tradução toma a liberdade de alterar as medidas tradicionais do verso em nome de uma admiração desmesurada. O foco muda para a medida do tempo presente, da fala, das ruas e das infinitas possibilidades da língua.
O Eu é um Outro (Inclusive o Tradutor).
Nesta edição, o público é convidado a testemunhar o jorrar das palavras de Rimbaud pelo filtro de um novo idioma. Guiado pelo ouvido, pelo ritmo e pela famosa premissa rimbaudiana de que "o eu é um outro", Juremir Machado da Silva entrega uma obra feita por pura paixão ao traduzido. O resultado é um exercício de fidelidade infiel (ou infidelidade fiel), onde as imagens originais reverberam, deliram e se multiplicam, transformando o ato de traduzir em uma verdadeira temporada de iluminação no paraíso.